Domingo, 23 de maio de 1999


Ensino Supletivo: a chance de todos concluírem estudos

Modalidade atende quem não pode freqüentar uma sala de aula
Ana Márcia

  Só não estuda quem não quer. Pessoas em idade avançada que desejam acelerar seus estudos em 1º ou 2º grau, repetentes cansados de cursar uma determinada série várias vezes, ou trabalhadores sem tempo de freqüentar uma sala de aula, recorrem ao sistema supletivo de ensino. A Secretaria da Educação e do Desporto matriculou, este ano, 2.084 alunos, mas a demanda é sempre elevada.
  O Ceagb dispõe de uma unidade escolar de suplência, onde os alunos do supletivo podem utilizar salas de estudo e tirar dúvidas com professores que ficam de plantão. Eles estudam e ao se sentir prontos, submetem-se a provas, por módulos de cada disciplina.
  Na escola há uma banca de avaliação para atender os estudantes. Segundo o técnico do Ensino Supletivo da SED, José Neilton Nunes Alves, o aluno pode concluir num período de seis meses a um ano. Em geral, é possível concluir três anos do ensino médio em apenas seis meses.
  A metodologia é por meio de conteúdos programáticos entregues aos estudantes, que podem estudar em casa e tirar dúvidas com os professores do Centro de Estudo Supletivo, no Ceagb. Quando a pessoa acredita estar pronta poderá se submeter a prova por módulos de disciplinas.
  ‘‘O sistema de ensino é como o corpo humano e determinados órgãos, quando não funcionam necessitam ser recuperados’’, diz Neilton. Ele lamenta que a legislação permita a adolescentes de 15, ou 16 anos fazerem o supletivo, elevando a demanda e retirando a vaga de pessoas mais velhas, que trabalham ou não têm tempo de freqüentar a escola regular.


Exames gerais permitem habilitações mais rápidas

   Outra modalidade de ensino oferecida pela Secretaria da Educação são os exames gerais, com demanda elevada formada por pessoas fora do ensino regular, que querem apressar as suas habilitações. Na prática, elas só precisam fazer as provas das disciplinas que estão devendo. O edital para realização dos exames ocorrerá na primeira semana de junho.
  O industriário Telmo de França Procópio tem 38 anos e está terminando as provas do supletivo de 2º grau. ‘‘Qualquer emprego hoje exige pelo menos o 2º grau e quem não estudar pode ficar sempre desempregado’’, diz Telmo.
  Ele parou de estudar ao ter perdido em duas disciplinas, mas resolveu voltar em fevereiro e agora está concluindo o supletivo. ‘‘Faltam ainda seis provas, mas logo estarei concluindo’’, falou.
  Klebson Carvalho tem só 17 anos, mas também apelou ao supletivo para concluir a 8ªsérie do 1º grau. Além da rapidez em concluir os estudos, ele acredita que essa modalidade de ensino é um incentivo maior à leitura.
  ‘‘No colégio, o professor dá o conteúdo, mas há uma certa acomodação em ler os assuntos’’, observa Klebson, que faz cinco matérias no curso supletivo. Em função da necessidade de passar nas provas, há um maior incentivo à leitura, na sua opinião, porque o aluno é obrigado a se dedicar mais para aprender sozinho.


Estudantes fazem assembléia para discutir o exame nacional

Para os dirigentes dos DCEs, deve haver uma reação à proposta de extinção de cursos
    Com a data para o exame nacional de cursos marcada para o próximo dia 13, os universitários da Ufal e Cesmac vão fazer assembléia, esta semana, para definir como se comportar diante das provas. É o que disseram os representantes dos DCEs das respectivas instituições, Joseval Siqueira de Melo e Maurício Torres, explicando que a classe estudantil precisa reagir à proposta do Mec de extinguir os cursos cujo conceito foi insuficiente no Provão.
  O coordenador-geral do DCE da Ufal, Joseval disse que os alunos ficaram preocupados com a notícia, mas ainda não está definido como reagir frente à ameaça do Mec. ‘‘O governo não comunicou a proposta à Universidade mas fez o alarde através da imprensa. Oficialmente não estamos sabendo de nada. Talvez nós façamos uma mobilização com ato público em frente à delegacia do Mec em Alagoas como forma de pressão para que sejamos tratados com respeito e dignidade. Não é justo o governo tomar uma atitude radical de extinguir os cursos e fazer com que as partes envolvidas na questão tomem conhecimento apenas através da imprensa,’’ reclamou.
  No Cesmac, os alunos vão agendar uma audiência com os técnicos do Mec para negociar uma solução ao impasse. ‘‘É um absurdo que nós não tenhamos sido informados sobre o resultado da avaliação. Os técnicos visitaram as instalações físicas da faculdade e não sabemos quais os critérios utilizados. A direção nos garantiu que foi pedido um prazo para investir nos cursos de forma a atender as exigências do Mec. Tudo foi cumprido e agora, sem voltar para uma reavaliação o governo anuncia a extinção. Não acreditamos nisso mas é um peso muito negativo para a instituição. Vamos nos formar e carregar o estigma de uma faculdade inclusa na lista de extinção pelo Mec. É um grande desrespeito e vamos lutar contra esse abuso de poder,’’ disse Maurício Torres, do DCE do Cesmac.
  Enquanto os estudantes articulam uma forma de protesto, os docentes também continuam sem receber do Mec o comunicado oficial do assunto. ‘‘Não podemos nos posicionar porque oficialmente nada nos foi informado com relação à proposta de extinção de três cursos: Direito, Administração e Engenharia Civil,’’ disse o reitor Rogério Pinheiro.
  Dos 101 cursos ameaçados de extinção pelo governo, 12 já foram relacionados no Diário Oficial da União do último dia 18: o de Administração da Universidade Federal de Roraima (Boa Vista, RR); Univ.Federal do RN (Caicó, RN); Faculdade de Ciências Humanas de Recife (PE); Faculdade de Direito de Baurú (SP); Faculdades Integradas de Itapetininga (SP); Instituto Luterano de Ensino de Ji-Paran (RO); Universidade Mackenzie (SP); Universidade Católica de Petrópolis (RJ); Universidade de Passo Fundo (RS); Universidade Federal da Bahia; Faculdade de Direito Padre Anchieta (SP); Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (MG).
  O Mec decidiu pelo fechamento após a segunda avaliação, vencido o prazo dado para investimento e adequação dos cursos aos padrões de qualidade. Em Alagoas e demais Estados o governo promete proceder da mesma maneira.


Alagoas apresenta proposta de reforma do ensino médio

  Depois de seguidos anos de crise na educação pública, o governo alagoano enviou ao MEC uma proposta de reforma para o ensino médio (2º Grau), por causa do aumento do número de matrículas, que este ano alcançou uma taxa de 11%. O projeto da Secretaria de Educação envolve a construção de novas escolas, programas de capacitação para o professor e a diversificação para o atendimento da demanda estudantil de acordo com a faixa etária.
  Para discutir o ajuste da proposta do governo alagoano, o ministério enviou o professor Moacir Alves Carneiro, consultor de ensino médio e educação tecnológica, que participou esta semana em Maceió, de um seminário com a equipe técnica da SED. Segundo ele, o ajuste é necessário para que o MEC possa definir o valor de investimentos para o Estado implementar o projeto, que deverá ter 60% do seu custo financiado pelo MEC. Os 40% restantes serão de contrapartida do governo estadual.
  Mas o consultor se apressa em dizer que a contrapartida não implica em novos gastos de Estado para investimentos na educação. Segundo Alves Carneiro, o dinheiro já faz parte dos recursos alocados para o setor. ‘‘Estamos negociando um entendimento para que Alagoas receba novos recursos do ministério para a reforma do ensino médio’’, disse. A proposta da secretaria inclui ainda a produção de material institucional, com investimentos em laboratórios, informática, vídeos e livros, e fortalecimento da relação escola-comunidade.
  Na opinião do consultor do MEC, a inovação do projeto da Secretaria de Educação está na diversificação do atendimento à demanda estudantil. A proposta irá atender os alunos matriculados no ensino médio de três faixas etárias de 15 a 17 anos, 18 a 25 e dessa faixa em diante. Os alunos enquadrados na última faixa não precisarão freqüentar sala de aula, porque serão atendidos por uma espécie de Telecurso 2000 a ser desenvolvido em todo o Estado através de programas de educação veiculados via rádio e televisão.
  ‘‘Esse programa terá uma concepção mais abrangente já que irá atender os estudantes que não têm condições de freqüentar a escola porque largam do trabalho tarde’’, afirmou, lembrando que a veiculação dos programas pelo rádio alcançará todo o Estado o atingindo aqueles que não têm TV em casa.


© 1999 Gazeta de Alagoas